Quinta Pedagógica da Caria participa na Consulta Pública sobre o Plano – BIO da Caria

Quinta Pedagógica da Caria participa na Consulta Pública sobre o Plano de Ação para a Conservação dos Polinizadores (PolinizAÇÃO)

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A Quinta Pedagógica da Caria reforça o seu compromisso com o ambiente e a biodiversidade ao participar activamente na consulta pública do Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores (PolinizAÇÃO), promovida através do portal Participa.pt.

O Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores esteve em consulta pública até 20 de Novembro 2025 e foi elaborado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) no âmbito do projeto nacional PolinizAÇÃO. Este plano visa proteger espécies fundamentais para a manutenção dos ecossistemas — como abelhas, borboletas, e outros insectos — promovendo medidas que reforçam o conhecimento científico, restauram habitats e incentivam práticas de gestão promotoras da biodiversidade.

A participação da Quinta Pedagógica da Caria nesta consulta pública representa um contributo da sociedade civil para a definição de políticas públicas ambientais, especialmente no que respeita à conservação dos polinizadores e à promoção de práticas agrícolas amigas da biodiversidade.

Os polinizadores são essenciais não só para a vida selvagem, mas também para a produção agrícola e a qualidade dos alimentos, uma vez que muitas culturas dependem da polinização para produzir frutos e sementes. Na União Europeia, estima-se que 15 mil milhões de euros do rendimento anual em agricultura são directamente dependentes dos polinizadores.

Apesar de as abelhas serem as mais famosas, também são polinizadores as borboletas, os besouros, as traças, os sirfídeos, as vespas (sim, elas são boas!!!), pássaros, roedores, répteis, entre outros.

A nossa contribuição para este processo visa ampliar a voz das organizações ambientais e educacionais na construção de políticas mais eficazes, participativas e baseadas no conhecimento comunitário. Esta participação reforça a relação entre sociedade civil, ciência, produtores e decisores públicos, criando uma ponte entre experiências locais e políticas nacionais de conservação.

Entre as 10 medidas que propusemos, destacamos as 3 seguintes:

Auditorias anuais a stocks e registos de aplicação de agroquímicos (Crítica)

Inspeção independente (DGAV ou entidade acreditada) a 20% das explorações convencionais em 2026, escalando para 100% até 2030. Foco em zonas de alta intensidade (Alentejo, Ribatejo, Beira Interior).

Justiça: Os agricultores biológicos já são inspecionados anualmente pela DGADR (Reg. UE 2018/848), enquanto os convencionais não – esta medida promove equidade, gerando dados para monitorização PT-PoMS sem sobrecarga burocrática extra.

Evidência ou exemplo-modelo: Dinamarca com -42% uso de pesticidas (2011-2019) com
auditorias + imposto tóxico, sem perda de produtividade.

 

Compensações ecológicas por monocultura, incluindo eucaliptais (Crítica)

Empresas ou Explorações em monocultura >100 ha (agrícola ou florestal) devem criar 1 ha de habitat florífero por cada 10 ha cultivados, ou pagar €500/ha/ano ao Fundo para Polinizadores. Para eucaliptais: Obrigatoriedade de 10-20% da área com pelo menos 2 espécies nativas (e.g. sobreiro e carvalho) em faixas intercaladas, reduzindo perda de
biodiversidade em 28%.

Evidência ou exemplo-modelo: UE com -35% impacto com compensações obrigatórias em eucaliptais mistos, elevando polinizadores em 40%.

 

Agrofloresta obrigatória em 10% da área agrícola e florestal (Crítica)

Plantação de linhas de árvores nativas (e.g. Quercus suber, Olea europaea var. sylvestris) em explorações >20 ha. Apoio via PRR (€1.500/ha).

Evidência ou exemplo-modelo: Espanha (Extremadura) com +50% abelhas em
agroflorestas de sobreiro.

 


Convidamos toda a comunidade a participar também nas consultas públicas no portal Participa.pt, contribuindo com as suas perspectivas e experiências sobre a importância dos polinizadores e das práticas de gestão que os protejam ou noutros temas relevantes.

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Referências:

Kudsk et al. (2018). Danish pesticide load indicator. Environ Sci Pollut Res.
Alexa Varah et al. (2020). Temperate agroforestry systems provide greater pollination service than monoculture, Agriculture, Ecosystems & Environment.
Torralba et al. (2016). Do European agroforestry systems enhance biodiversity and ecosystem services? A meta-analysis. Agriculture, Ecosystems & Environment, 230, 150–161.
Thomasz et al. (2025). A. Economic valuation of ecosystem services in southwest Spain. Discov Sustain 6, 95. 






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